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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Questão de Tempo - Tradição em Verde, Branco e Grená





Tricolores de sangue grená, peço desculpas por não ter publicado minha coluna ontem ou anteontem, mas contratempos impediram-me de fazê-lo. Por este motivo, estou escrevendo-a hoje, dia 6 de Novembro. Nesses dias que se passaram, eu poderia ter estado em alguma comemoração de título, pois o tetra poderia ter vindo neste último domingo. Mas não, não veio. E nem acredito que virá no domingo próximo, contra o Palmeiras, em Presidente Prudente. Confio que virá no Engenhão, contra o Cruzeiro. Mas se vier antes, comemorarei do mesmo jeito.

Porque agora é apenas questão de tempo. Isso mesmo, tempo. Descalcei as sandálias da humildade quando vi o Fluminense engolir o São Paulo no segundo tempo, e quando, para completar, Deivid sepultou quaisquer aspirações que o Atlético-MG pudesse ter no campeonato. Empatar com o São Paulo no Morumbi jamais pode ser considerado um resultado ruim, dada a grandeza do time paulista, sua tradição e o peso de sua história. Empatar lá sabendo que poderíamos ter vencido, tamanha foi a superioridade em pelo menos metade do jogo, melhor ainda.

O fato é que muitos podem reclamar, outros podem contestar, mas ninguém pode NEGAR o valor desse time, que vem fazendo história. Com 64 pontos em 34 rodadas, o Atlético-MG tem feito uma campanha de campeão. Com 73 pontos nas mesmas 34 rodadas, o Flu faz uma campanha de supercampeão, de maior campeão de todos os tempos. E isso incomoda, ah, se incomoda, principalmente a Flapress, que já não deve mais nos agüentar. Afinal, galera... de 2007 para cá, 3 títulos nacionais. Nenhuma equipe foi mais vencedora em âmbito nacional que o Fluminense nestes últimos anos. Falta-nos somente aquilo que já perseguimos desde 2008: a Libertadores da América. Mas ela virá. E se tudo der certo, ano que vem mesmo.





Mas, voltando ao jogo, vimos um Fluminense bem melhor em campo até mesmo do que contra o Coritiba. Num fim de campeonato, onde todos já estão cansados ou em ligeiro declínio, este Fluminense parece em franca ascensão. Esteve desfalcado de Deco e Wagner, além de não contar com o Marcos Jr. no banco. Parecia? Eis o segredo desse elenco: ter peças de reposição que mantêm o nível. No primeiro tempo, houve um grande equilíbrio. Tivemos algumas boas chances de marcar. O São Paulo também, mas a verdade é que as equipes se respeitaram demais. No segundo tempo, o Flu atacou mais, esteve mais ativo, e até mereceu sair na frente, mas permitimos o revés no placar através de um erro raro do excelente Gum, que foi infeliz ao recuar a bola para Cavalieri e deu um presentaço para o bom Luis Fabiano abrir o placar para os mandantes.

Quem achou, porém, que o Fluminense ia se abater com o gol, enganou-se. Provavelmente motivados em compensar o erro do guerreiro Gum, os guerreiros partiram para cima e não tomaram conhecimento do São Paulo a partir daquele instante. Foi uma lavada. Se fosse uma goleada pró-Flu o resultado final do jogo, não seria de assustar. Mas é inegável que os donos da casa também têm um bom time e não seria fácil cruzar sua meta. Foi apenas quando Samuel entrou no lugar de Sóbis e acreditou numa jogada que mais ninguém acreditaria, roubando uma bola improvável de Rafael Tolói que o empate aconteceu, pelos pés do artilheiro do campeonato. Fred recebeu passe limpo e bateu pro gol vazio.

Assim, o placar final fora decretado. E só ficou assim porque tanto Rogério Ceni (em chute meio sem querer de Gum) quanto Cavalieri salvaram bolas que seriam “gol certo”. Talvez não tenhamos ampliado porque Abel Braga resolveu colocar o Diguinho em campo e tirar o Wellington Nem, melhor em campo. Dessa vez, o volante não fez nada que lhe dê deméritos, mas perdemos força ofensiva. Poderíamos ter vencido o jogo, mas voltamos com 1 ponto de São Paulo, o que é sempre bom. Como os cavalos paraguaios do campeonato perderam para o Coritiba no Couto Pereira (como eu avisei que iria acontecer), abrimos 9 pontos de distância para o vice-líder, faltando 12 pontos a serem disputados. Não acabou... mas acabou. Se fosse o Grêmio, talvez eu ainda temesse alguma zebra, mas o Atlético-MG já mostrou que, fora de casa, não busca os pontos. É capaz que não consiga vencer o combalido Vasco, que atravessa um momento muito delicado no campeonato, e assim, se derrotarmos (e rebaixarmos) o Palmeiras, poderemos ser campeões daqui a alguns dias. Mas eu não quero. Quero ser campeão no Engenhão, contra o Cruzeiro. Quero ver a taça (ainda que uma réplica ou de mentira). Quero ver os jogadores darem a volta olímpica. Quero gritar “é campeão” lá. Pois já não me resta qualquer dúvida: seremos campeões.


● Verde da Esperança

- Wellington Nem, calma, meu garoto... lembre-se que você estava contundido. Abel talvez quisesse te poupar.
- Fred de novo. Caminhando para ser o artilheiro do Brasil.
- Samucréu voltou. Esse garoto está queimando a língua de muitos!
- Euzébio voltou e segurou a onda. Partida sem erros.
- Jean foi o de sempre. Gum... você tem crédito, guerreiro. Errar é humano.


● Branco da Paz

- O fim da maratona de jogos é bom. A espera pela próxima partida, não!
- Embora o Vasco não esteja bem das pernas, agora que já queimaram o técnico, é capaz que vençam de novo.
- Todos a Presidente Prudente. Podemos ver o segundo brasileiro em três anos ser conquistado lá!
- E os manés que diziam aos quatro cantos em 2010 que agora só iríamos ganhar outro brasileiro após 26 anos, hein? Queria ver a cara deles.


● Grená do Vigor

- Edinho, dessa vez lhe darei um desconto... mas anda lento, hein?
- Diguinho, okay, dessa vez você não fez asneira. Ótimo.
- Carlinhos, você só vai mesmo acertar um cruzamento para o gol do título?
- Bruno, Cicinho tá vindo aí. Olha a sua titularidade indo pelo ralo...
- Abelão, dava para ganhar o jogo...


Faltam 4 rodadas (ou menos!) pra gritar “É campeão”! Acredita, Fluzão!







Sobre o autor: Aloisio Soares Senra é professor de Inglês do Município do Rio de Janeiro desde 2011, e torcedor do Fluminense desde sempre. Casado, é carioca da gema, escritor, jogador de RPG, entre outras atividades intelectuais.





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