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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Serenidade - Tradição em Verde, Branco e Grená




Tricolores de sangue grená, é até difícil escrever alguma coisa nessas horas em que o sangue está quente e a cabeça está cheia, mas, assim como eu, o que o Fluminense precisa agora é de serenidade. Sim, serenidade. O tempo inteiro a mídia tentou transformar essa partida na “decisão” do campeonato. Talvez, para o Galo, fosse mesmo, já que, em caso de derrota ou empate, suas chances seriam muito pequenas. Perdemos, e hoje as chances deles são apenas “pequenas”. Estamos seis pontos à frente, faltando seis rodadas. Perdemos apenas três partidas em 32, e para que eles queiram ter chances de serem campeões, além de perdermos duas partidas das seis que restam, o que é pra lá de improvável, eles precisam ganhar TODAS. Assim, tenhamos serenidade.

A tabela do Atlético-MG não é fácil, considerando que não vá haver “entregadas” de Vasco e Flamengo, pois um luta para conseguir entrar no G4 novamente, e outro para não cair. Atlético-MG pega o Flamengo (casa), Coritiba (fora), Vasco (fora), Atlético-GO (casa), Botafogo (fora) e Cruzeiro (casa). A tabela do Fluminense também não é algo fácil, mas é administrável: Coritiba (casa), São Paulo (fora), Palmeiras (fora), Cruzeiro (casa), Sport (fora), Vasco (casa). Assim, se pensarmos pela lógica, o Atlético-MG deve arrumar, no melhor dos cenários (sem considerar que eles ganhem tudo), 10 pontos (considerei como empates os jogos fora de casa e o clássico da última rodada). O Flu, no pior dos cenários (considerando que só ganhemos em casa e percamos fora, e empatemos o clássico), somaria mais 7 pontos. Ainda assim, terminaríamos o campeonato na frente do Atlético-MG. Assim, vamos devagar com o andor. Nada foi perdido, só adiado. Além de tudo, eles costumam dar mole fora-de-casa, e não me surpreenderia se perdessem ainda um ou dois jogos fora de seus domínios.
 
O jogo, pelo que a imprensa conta, foi um “partidaço”. Sim, foi um jogão, mas não foi digno, no meu entender, de “entrar para a história dos maiores jogos de todos os campeonatos brasileiros”. Eu vi essa baboseira na internet, dita por um jornalista. Com todo o respeito, se o Flu tivesse vencido o jogo, DUVIDO que falariam isso. O jogo Fluminense 3 x 1 Santos foi um jogão, nesse segundo turno, e ninguém falou nada, porque vencemos. De todo modo, não vou tirar o mérito do adversário, nem reclamar da arbitragem. Sim, entendo que o árbitro, apesar de invalidar acertadamente o gol do Galo no primeiro tempo, acabou invertendo alguns lances, ignorando faltas claras sobre jogadores do Fluminense e deixando de aplicar cartões. Mas não é isso que decide o jogo efetivamente. Perdemos porque o Atlético-MG foi melhor, buscou o gol todo o tempo, e se não fosse a leiteria de Cavalieri (traves + eficiência mágica) teríamos ido para o intervalo derrotados.




A proposta do Fluminense era clara desde o começo: aproveitar o desespero do Atlético, que precisava vencer, e sair nos contra-ataques, arma sempre letal do Flu. Só que o abafa do Galo, com Edinho em tarde pouco inspirada, Diguinho mais perdido que cego em tiroteio e os laterais perdendo divididas a balde, foi insuportável. Cavalieri trabalhou bastante, e no primeiro tempo só tivemos uma finalização, em cobrança de falta de Thiago Neves. Porém, quando voltamos para o segundo tempo, melhor posicionados e contando também com uma temporária falta de fôlego do Galo, acabamos conseguindo conter melhor as investidas e atacar mais. E num dos contra-ataques que fizemos, Fred recebeu a bola e tocou para Wellington Nem abrir o placar. 1 a 0 Flu. Pouco tempo depois, Jô empatou, após vacilo da zaga, que cometeu um erro de posicionamento em contra-ataque cedido por Carlinhos. O Atlético continuou atacando e conseguiu virar o jogo depois dos 30 do segundo tempo, com Jô, de cabeça, em mais uma falha de posicionamento. Ainda teríamos tempo para empatar, aos 40, com Fred, que marcou seu centésimo gol, após cruzamento de Carlinhos, mas em vez de usar a experiência pra cozinhar o jogo (e o Galo!), o Fluminense sucumbiu, mais uma vez, cedendo o desempate no fim, com gol de Leonardo Silva, que subiu por trás de Digão e diminuiu a diferença entre os líderes. A conta das duas chances claras de gol perdidas por Thiago Neves (uma delas bastava encobrir o goleiro, e na outra o passe para Fred desmarcado na área foi fraco) agora chegava. Não há muito mais o que dizer. A vitória do Atlético-MG foi justa. Jogaram melhor, correram mais, não desistiram e Ronaldinho jogou muito. Felizmente, sabemos que não vão manter esse pique. Agora é ter serenidade. Só perdemos uma batalha. A guerra continua.
 

● Verde da Esperança

- Wellington Nem incomodou, como sempre, e deixou a sua marca.
- Fred foi decisivo, como sempre, e deixou a sua marca.
- Cavallieri foi um paredão, como sempre, mas infelizmente a sorte não durou até o fim.
- Sóbis entrou bem no jogo. Sinceramente, anda merecendo vaga nesse time.
- Outro que deu outro fôlego foi o Wagner. Precisamos ver quem tem pernas nessa reta final.


● Branco da Paz

- Não quero desculpas. Engenhão lotado contra o Coritiba quinta-feira!
- A vantagem na tabela é boa, mas não podemos vacilar. Mantê-la é o ideal.
- Lamentável o mosaico da torcida do Atlético. Sinceramente, não merecem ganhar o título... a postura do time do Galo, da torcida do Galo e da imprensa mineira tem dado nojo.
- A torcida organizou uma recepção no aeroporto. Isso é extremamente positivo. É hora de apoiar o time que só perdeu 3 partidas em 32!


● Grená do Vigor

- Edinho desafinou. Diguinho foi o que tem sido nos últimos tempos. Realmente, Edinho + Diguinho = catástrofe.
- Diguinho, pare de entrar como uma moça nas divididas!
- Carlinhos, a culpa do primeiro gol e do terceiro gol do Galo foi sua.
- Bruno, a culpa do segundo gol do Galo foi sua.
- Digão, parte da culpa do segundo gol do Galo foi sua.
- Abel, a culpa dos gols do Galo foi toda sua. Quem mandou não colocar uma marcação especial sobre o Ronaldinho?


Faltam 6 rodadas pra gritar “É campeão”! Acredita, Fluzão!





Sobre o autor: Aloisio Soares Senra é professor de Inglês do Município do Rio de Janeiro desde 2011, e torcedor do Fluminense desde sempre. Casado, é carioca da gema, escritor, jogador de RPG, entre outras atividades intelectuais.

















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